Quotidiano

A moça lá de cima

Filhos são uma dádiva. Certo? Receio que isso não seja verdade para todos. Infelizmente. Pelo menos, aparentemente, para a moça lá de cima não é.

Uma coisa que me incomoda em prédios residenciais é a possibilidade de ouvir e ser ouvida indiscriminadamente. Às vezes, você nem lembra dos “grandes ouvidos” da vizinhança. Pois é. Inadvertidamente, eu ouço. E as palavras são claras. A moça lá de cima despeja impropérios dos mais absurdos, palavras depreciativas e agressividade de forma livre e “espontânea”(?!). Às vezes parece até que para ela é um gesto tão natural, como mastigar antes de engolir. Dia ruim todo mundo tem. Perder a paciência, todo mundo perde. O problema é quando isso vira a regra. Deveria ser um acontecimento isolado e não uma sucessão deles, dias a fio. Do contrário, o indivíduo precisa de algum tipo de ajuda. Pode ser unicamente cansaço. Uma fase. Certamente essa pessoa precisa de ajuda profissional.

Imagine, desferir tantos golpes juntos da mais pura raiva e intolerância. Imagine, escutar isso todos os dias. Agora, imagine que você seja ou esteja incapaz de cuidar de si mesmo e o seu cuidador agir de forma intolerante frequentemente. Na hora do banho, de escovar os dentes, de fazer suas necessidades fisiológicas, de se alimentar, de se vestir. Imagine ainda, se isso vier da pessoa em quem você coloca todas as suas expectativas, por exemplo, a figura materna.

Cá entre nós, criança tem dificuldades e não são poucas não. Elas simplesmente precisam ser ensinadas. Precisam de alguém que dê um suporte, segurança e não de quem jogue grosseiramente na cara delas a sua incapacidade latente. Puxa vida, elas não nascem sabendo, mas aprendem rápido se forem bem instruídas. Criança não tem o mesmo ritmo do adulto. Criança vive numa realidade bem diferente da nossa. Elas acham graça da maioria das coisas, se entretêm facilmente e sim, podem ser muito dispersas. Afinal, o objetivo maior da vida delas, não é comer, nem se vestir, nem fazer coisa alguma que de fato é relevante na vida prática. O objetivo maior delas é única e simplesmente, BRINCAR! Não adianta, nesse aspecto, todas são iguais. E você, adulto, que se propôs a ter uma dessas pessoas em miniatura, na sua vida, resigne-se. Aceite. O tempo dela não é o seu. E ela simplesmente não liga se você vai ou não perder a hora, se a roupa é nova ou não, se os dentes estão limpos ou não, se o presente é caro ou não. Ela quer brincar o tempo todo. É um outro universo. E muitas vezes, o adulto teve um mau dia, paciência.

E a moça lá de cima ignora todas essas limitações da vida infantil. Ela parece pressupor que seus filhos estão na mesma fase de vida que ela. Enfim, eu não sei o que se passa lá. Eu não gosto de fazer pré-julgamentos. O problema é que a gritaria se repete diariamente e eu não entendo.

A moça lá de cima, agride sem piedade seus dois filhos. Não é fisicamente. É verbalmente. Uma espécie daquilo que chamam de “assédio moral”. Eu acredito verdadeiramente que ela deve ter tido uma infância tumultuada ou deve sofrer psicologicamente, algum surto, sei lá. Porque eu não consigo assimilar que uma pessoa normal, digo, equilibrada emocionalmente, possa se sentir em paz depois de toda aquela agressividade. Eu também não vou afirmar que seja pura crueldade, porque acho que crueldade é bem diferente. O que me parece é um descontrole emocional mesmo.

Eu sinto pena da mãe e também das crianças. O tempo passa muito rápido e essa fase linda e cheia de encantos que só a infância proporciona a cada um, é tão rápida que até parece volátil. Não. Não é certo tratar criança com tanta intolerância, mas não é certo julgar a mãe, também. Apenas relato aqui uma coisa que me incomoda por dias a fio. Eu tenho duas crianças bem pequenas também. E sei bem que é difícil não sair da linha, mas o trem não pode descarrilar.

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