Eu li

A Redoma de Vidro

42744934Título: A Redoma de Vidro
Título original: The Bell Jar
Autor: Sylvia Plath
Edição: 1ª edição – 2014
Tipo de capa: brochura
Páginas: 280
Editora: Biblioteca Azul
Quem escreveu
Sylvia Plath nasceu em 27 de outubro de 1932, em Jamaica Plain, Massachusetts, Estados Unidos da América. Seu único romance foi a Redoma de Vidro.
Sylvia Plath foi reconhecida principalmente por sua obra poética. A perda de seu pai, por conta de uma diabetes não diagnosticada, abalou muito a autora, então com oito anos. Suicidou-se aos trinta anos, algumas semanas depois da publicação do livro, deixando dois filhos.
Sinopse
Dos subúrbios de Boston para uma prestigiosa universidade para moças. Do campus para um estágio em Nova York. O mundo parecia estar se abrindo para Esther Greenwood, entre o trabalho na redação de uma revista feminina e uma intensa vida social. No entanto, um verão aparentemente promissor é o gatilho da crise que levaria a jovem do glamour da Madison Avenue a uma clinica psiquiátrica.
Lançado semanas antes da morte da poeta, o livro é repleto de referências autobiográficas. A narrativa é inspirada nos acontecimentos do verão de 1952, quando Silvia Plath tentou o suicídio e foi internada em uma clínica psiquiátrica. A obra foi publicada na Inglaterra sob o pseudônimo Victoria Lucas, para preservar as pessoas que inspiraram seus personagens.
Assim como a protagonista, a autora foi uma estudante com um histórico exemplar que sofreu uma grave depressão. Muitas questões de Esther retratam as preocupações de uma geração pré-revolução sexual, em que as mulheres ainda precisavam escolher se priorizavam a profissão ou a família, mas A redoma de vidro segue atual. Além da elegância da prosa de Plath, o livro extrai sua força da forma corajosa como trata a doença mental.
Sutilmente, a autora apresenta ao leitor o ponto de vista de quem vivencia o colapso. Esther tem uma visão muito crítica, às vezes ácida, da sociedade e de si mesma, mas aos poucos a indiferença se instaura, distanciando a moça do mundo à sua volta. “Me sentia muito calma e muito vazia, do jeito que o olho de um tornado deve se sentir, movendo-se pacatamente em meio ao turbilhão que o rodeia”.
Ao lidar com sua depressão, Esther também realiza a transição de menina para uma jovem mulher. Mais que um relato sobre problemas mentais, A redoma de vidro é uma narrativa singular acerca das dores do amadurecimento.
O livro
Tudo começa na época da morte por execução do casal Rosenberg. Eles eram um casal de judeus que foram condenados por espionagem.
Esther, a protagonista, estagiava numa revista famosa em Nova Iorque, saindo de sua pacata cidade para ir viver em meio a um redemoinho de coisas muito diferentes daquilo que ela almejaria para si mesma. A futilidade do glamour incomodou muito mais do que encantou.
“Uma garota vive em uma cidade no meio do nada por dezenove anos, tão pobre que mal pode comprar uma revista, e então recebe uma bolsa para a universidade e ganha um prêmio aqui e outro ali e acaba em Nova York, conduzindo a cidade como se fosse o próprio carro. Acontece que eu não estava conduzindo nada, nem a mim mesma.”
Terminado o estágio, ela volta para casa muito decidida a escrever um romance, embora, julgue-se com pouca experiência de vida para tal.
As incertezas, acerca do futuro profissional, de sua inserção no mundo real, trouxe um pouco de angústia.
Nunca encontrou compreensão na figura materna, pois sua mãe, não compreendia ou ao menos, se esforçava para compreender o problema que estava começando a se desenrolar na mente de sua filha: a depressão. Ela subestimou aquilo. Esther não tinha muitas afinidades com a mãe e a superficialidade da mãe não ajudava muito.
O caos na sua mente vai aumentando lentamente e ela inicia um tratamento psiquiátrico e no decorrer do mesmo, inicia-se uma longa jornada de dor e insanidade, muitas vezes, devido aos tratamentos de eletrochoque. O mais impressionante é que a lucidez não a abandonava completamente, o que sempre causava mais infortúnios.
“Quando eles perguntavam a qualquer velho filósofo romano como ele queria morrer, dizia que rasgaria as veias, num banho quente. Achei que seria fácil, deitada na banheira e vendo a vermelhidão florir dos meus pulsos, jorro após jorro penetrando na água limpa, até que eu me afundasse no sono sob a superfície rubra como papoulas. Mas quando cheguei às vias de fato, a pele do meu pulso parecia tão branca e indefesa que não consegui nada. Era como se o que eu quisesse matar não estivesse naquela pele ou naquele pulso magro e azulado que latejava sob o meu polegar, mas sim em algum outro lugar, mais profundo, mais secreto, e muito mais difícil de ser alcançado.”
Esse livro me fez compreender muita coisa acerca de um problema tantas vezes minimizado ou ignorado. Apoiar alguém com feridas tão crescentes e profundas na alma se faz tão essencial quanto colocar antissépticos em feridas. Não pressionar e nem questionar demais, porque quando uma coisa dessas chega na mente, não tem um motivo aparente, ou razão prática. Simplesmente sente-se, sofre-se.
Não é um livro que aborda um tema fácil ou leve. É um livro cheio de nuances, mas com muitas lições, sobretudo acerca desse monstro que assola tanta gente e chamado depressão. O livro retrata com clareza dois lados de uma moeda ainda cheia de mistérios para muita gente. Acredito, porém, ser um bom livro se você precisa lidar com alguém mergulhado na depressão. Por toda a sua conjuntura, um livro, ainda, muito atual.
“Me vi sentada embaixo da árvore, morrendo de fome, simplesmente porque eu não conseguia decidir qual figo eu ficaria. Eu queria todos eles, mas escolher um significava perder todo o resto, e enquanto eu ficava ali sentada, incapaz de tomar uma decisão, os figos começaram a encolher e ficar pretos e, um por um, desabaram no chão aos meus pés.”
O fato de saber que a vida própria da autora foi a principal inspiração também confere muito realismo. No entanto, não acho que seja uma boa leitura para quem se sente inclinado a ficar depressivo.
Excelente leitura e com certeza, lerei mais vezes.
Filmes relacionados
Existe um filme de 1979, A Redoma de Vidro, onde Esther Greenwood é vivida por Marilyn Hasset.
E também há um plano para um novo filme com direção de Kirsten Dunst, a eterna Mary Jane, onde Dakota Fanning seria Esther.
Em 2011 também se falava em fazer uma nova adaptação, mas parece que não vingou.
E Sylvia – Paixão além de palavras, filme de 2003, com Gwyneth Paltrow vivendo Sylvia Plath. E tem também, Daniel Craig e a direção de Christine Jeffs.
“Respirei fundo e escutei o velho e orgulhoso som do meu coração. Eu sou, eu sou, eu sou.”

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