Coisa Minha

Quando a gente se revela, os outros começam a nos desconhecer

Pois é, já disse Clarice (Lispector, claro!). Sou uma pessoa tranquila, do tipo que não se envolve em discussões acaloradas. Do tipo em que a longanimidade é bem acentuada. Que o digam meus dois pirralhos. Eu realmente tenho paciência. Tenho fleuma. E tenho sangue frio em situações onde a maioria das pessoas, só se desespera. Ou só grita. Nessas horas, eu penso. No melhor modo de resolver aquilo, na melhor solução. Eu sei, eu sei, parece coisa de psicopata, mas é o meu jeito.

O problema é que às vezes, as pessoas, e quero dizer, a MAIORIA das pessoas, confunde o meu jeito calmo e tranquilo e por vezes, excessivamente polido – pois não se esqueça que a pessoa introvertida é esquisita (ou vice-versa) e é também muito quieta, como é o meu caso, em absoluto – com pessoa sem muita capacidade de raciocínio ou com abundância em estupidez, vulgo i-d-i-o-t-a.

E aí, eu começo a passar por um teste de paciência, pois me parece que o que eu digo que me desagrada de forma tão bem educada e comedida, de forma gentil, não é levado em conta. Às vezes, eu tenho a impressão de que o que vale não é o que você diz, mas COMO você diz. Se eu usasse de rispidez com mais frequência, as pessoas me teriam mais consideração e respeito. Ando tendo essa convicção ultimamente.

Um dia, aquela coisa que me irrita tão repetidamente alcança o limite da minha tão rica e farta paciência. E eu, altero a voz e digo coisas que eu não deveria dizer, em absoluto. Certamente, terminando a frase, vem o arrependimento. Mas confesso que depois que passa ( o meu arrependimento amenizado) é engraçado de lembrar da cara das pessoas no exato momento da explosão do mar de calmaria aqui.

Eu realmente me transformo, o meu sangue é como se esquentasse e me fosse impossível segurar o tal rompante. E foi uma coisa dessas que me aconteceu no fim-de-semana. Eu não gostei, fico me sentindo mal, mas creio que às vezes seja necessário e talvez, Clarice Lispector estivesse falando exatamente disso quando escreveu que “quando a gente se revela, os outros começam a nos desconhecer”.

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