Coisa Minha · Esquisitices · Quotidiano

Desculpe, tenho preguiça

As pessoas e sua complexidade absoluta. É meio complicado ser gente. E parece que a cada dia o mundo se complica mais. Agradar ou não agradar, não tem que ser a questão, mas por vezes, é.

Digamos, que antes eu procurei muito agradar. Por baixa autoestima, por medo de não ser “muito” aceita. Até que por fim, eu aceitei a minha completa esquisitice – não foram poucas vezes as que ouvi dizerem que eu sou muito “diferente”. Principalmente: você é muito calada. Descobri recentemente que gente calada, assusta.

Não por uma escolha pessoal, mas com o tempo as rugas chegam a gente amadurece e se conhece melhor. E então, comecei a compreender que a minha “esquisitice” era não ser tagarela, como imaginavam que eu devesse ser, eu também, não era sociável – não sou ainda – como deveria ser. Eu não falava sobre a minha vida, o quanto eu deveria falar. Eu não gostava de salões de beleza o suficiente – ainda hoje não gosto e só frequento esse lugar para aparar as pontas do meu indomável cabelo. Ah sim, até o cabelo é questionável, porque a chapinha no cabelo feminino é essencial, né? Eu gosto dos meus tóin-óin-óin, oras!

Eu prefiro tanto, ler um livro ou ver um filme do que ter que conversar e procurar ser politicamente incorreta, com gente que só sabe conversar frivolidades, enfim, coisas “normais”.

E não dá pra dizer à pessoa: desculpe, tenho preguiça desse assunto, dessa contação de vantagens, dessa ostentação material, dessa política tão certinha, dessas novelas, dessas tantas fotos de viagens e de comida que não me i-n-t-e-r-e-s-s-a-m, da vida de celebridades, de uma religiosidade vazia, de dietas infalíveis… minha gente, é muita coisa desinteressante no mundo dos “normais”. Tem tanto assunto mais importante e descentralizado do nosso umbigo, nós, meros passantes nessa vida.

Porém, parei. Eu deixei isso pra lá, eu sou diferente mesmo. Eu tenho preguiça da maioria das gentes e pronto. Reconheço que algumas pessoas me agradam muito, mas em geral, elas também são esquisitonas, se é que me entende… E sim, sei que talvez isso não seja uma coisa legal, mas infelizmente ou felizmente, sou eu. Não me questiono mais, não me angustio mais. Deixei de ficar imaginando como eu deveria ser o completo oposto do que eu sempre fui. E chega uma hora em que os outros precisam compreender isso.

E foi aí, eu começando a entender toda a amplitude da minha antissocialidade que me vieram os filhos. Exatamente, um atrás do outro. Pronto, a pessoa que já não tinha vida social, prevaleceu-se totalmente disso. A frase “eu não tenho tempo”, é bem mais crível agora para as pessoas “normais” que me rodeiam. Afinal, quem tem tempo sobrando com duas crianças pequenas para cuidar além de todos os outros afazeres de uma vida comum?? Hein, hein?? Que tranquilidade! Qualquer evento que não me anime, e são muitos, eu posso até mesmo me valer de algum resfriado fictício ou não, pois sempre pode ser mesmo um resfriado… Nunca se sabe…

 

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